Romance, versão masculina

ROMANCE, VERSÃO MASCULINA

Eu não diria que o meu marido é um homem romântico. Na verdade, até estou a ser muito contida.


Ele odeia ser arrastado para discussões emocionais (mesmo que seja para discutir o que ele próprio está a sentir), abomina filmes onde as pessoas falam sobre as suas emoções durante mais de um minuto e passa-se quando tem de participar em celebrações e eventos familiares de carácter obrigatório. Ele é homem da cabeça aos pés, nem vale a pena discutir.

O Dia dos Namorados não é propriamente um dia fofinho cheio de amor e carinho na nossa família; limitamo-nos a ver como está o tempo porque, com sorte, podemos dar um passeio ao ar livre. Sem lhes perguntar nada, ano após ano, as minhas amigas descrevem-me os presentes que recebem, enquanto eu estou condenada a ver como está o tempo.

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Hoje, inesperadamente, recebi uma encomenda. Sem endereço, sem remetente, apenas uma pequena embalagem deixada à entrada ao final do dia. À medida que a desembrulhava, estava a ficar cada vez mais entusiasmada. A sério? Para mim? Para o Dia dos Namorados? Com a sorte que tenho, deve ser engano…
Encontrei uma das minhas velhas camisolas dentro da caixa e, durante alguns instantes, fiquei a olhar para ela confusa. Foi então que comecei a recordar-me de pormenores e memórias há muito esquecidos.
Quando o nosso filho nasceu… usava-a sempre. Era larga e confortável para alguém que tinha tido um bebé, como era o meu caso. Foi então que percebi tudo. Esta era a camisola que tinha vestida há dez anos, no dia em que fomos a correr para o hospital graças à intuição do meu marido – ele é veterinário e, segundo ele, tem experiência em reconhecer os sinais. Pelo menos, aquilo que é semelhante…
E tal como tinha de acontecer (felizmente, não de acordo com um manual veterinário), o Afonso nasceu e a camisola foi parar ao fundo do armário, onde ficou esquecida durante anos à espera deste momento. Mas o que estaria ela aqui a fazer? Teria sido o meu marido a enviar-me esta camisola? Seria um sinal? E por que razão a teria enviado no Dia dos Namorados? Inacreditável! Que romântico!
Preparei-lhe um jantar à luz das velas e fiz o prato preferido dele: borrego. Depois telefonei às minhas amigas porque sentia uma necessidade enorme de me exibir. Pelo menos, eu achava que sim…
Acontece que o meu marido não fazia a menor ideia que era Dia dos Namorados. Esquecera-se deste pequeno pormenor. Seja como for, valeu a pena.

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