Sopro no Coração - O que é?

Sopro no Coração - O que é?

Uma das notícias que mais preocupa os pais na consulta de pediatria é o diagnóstico de um sopro cardíaco. Saiba tudo sobre esta doença cardíaca.


A grande maioria dos sopros são detectados em consultas de rotina ou eventualmente em situações de urgência, nas quais aumenta a turbulência do sangue no coração – febre, anemia, entre outras.

Todos temos a ideia pré-definida de que o coração é como se fosse um motor que tem de trabalhar a 100%, pelo que o facto de poder ter algum problema e funcionar mal provoca grande ansiedade nos pais.

Perante o diagnóstico inicial de um sopro é importante perceber se estamos perante um sopro inocente, uma cardiopatia ainda não diagnosticada ou outra doença que possa coexistir com alterações da auscultação.

Mas o que é um sopro?
O coração é constituido por quatro cavidades – duas aurículas e dois ventrículos. Na criança sem alterações cardíacas a circulação estabelece-se sempre da mesma forma. O sangue não oxigenado chega à aurícula direita pelas veias cava superior e cava inferior, passa para o ventrículo direito, sai do coração pela artéria pulmonar indo até ao pulmão para ser oxigenado. Regressa pelas veias pulmonares à aurícula esquerda, passa para o ventrículo esquerdo e abandona novamente o coração através da aorta para oxigenar todo o organismo. Nos indivíduos sem alterações cardíacas não existe comunicação entre o “lado direito” e o “lado esquerdo” do coração.

Quando auscultamos com o estetoscópio classicamente identificamos dois sons que correspondem ao encerramento das válvulas cardíacas. O sopro corresponde a um ruído prolongado idêntico ao soprar do vento que se ouve entre os batimentos cardíacos e que se deve à turbulência da corrente sanguínea no interior das cavidades cardíacas ou das grande artérias.

As características do sopro e a ausência de outros sintomas ou sinais permitem-nos poder afirmar se se trata de uma situação transitória ou se eventualmente poderemos estar perante uma criança com uma cardiopatia congénita.

O que é um sopro inocente?
O sopro inocente é, por definição, um sopro que não é devido a nenhuma alteração anatómica do coração. Deve-se exclusivamente à turbulência com que o sangue circula nas cavidades cardíacas.

O sopro inocente mais comum nos primeiros meses de vida ocorre devido à passagem de sangue da aurícula esquerda para a aurícula direita. Ao contrário do que acontece após o nascimento, na vida intra-uterina existe comunicação entre o lado direito e o lado esquerdo para permitir um desenvolvimento pulmonar adequado. Existe portanto uma comunicação entre a aurícula direita e a aurícula esquerda com passagem de sangue entre estas. Quando o bebé nasce e ganha autonomia respiratória, ou seja, mal chora na sala de partos, verifica-se uma adaptação do seu sistema cardiovascular e deixa de existir passagem de sangue entre as duas aurículas. Após nascer a criança passa a ter a circulação pulmonar (do lado direito) completamente separada da circulação sistémica (do lado esquerdo do coração).

Este encerramento da comunicação entre as duas aurículas pode demorar ainda alguns dias. Assim, é habitual auscultar-se um sopro nas primeiras 24 a 48 horas de vida que corresponde à passagem de sangue do lado esquerdo para o lado direito do coração através das aurículas. Apesar da grande maioria desaparecer no primeiro mês de vida, há crianças em que o sopro pode persistir durante o primeiro ou segundo ano de vida. Nestes casos a criança deve ser regularmente vigiada pelo cardiologista pediátrico mas a tendência na maioria dos casos é que o sopro desapareça com o crescimento do coração, que acompanha o crescimento da criança.

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Existem também sopros inocentes ou benignos nas crianças mais velhas e que podem estar relacionados com situações clínicas associadas a maior turbulência do sangue no interior das cavidades. É o caso da febre, das infecções e da anemia que podem fazer com que se identifique um sopro na auscultação cardíaca. Na maioria dos casos é um sopro de baixa intensidade e que desaparece quando a criança deixa de estar doente.

Sopros associados a alterações cardíacas
As cardiopatias congénitas são das malformações graves mais frequentes no recém-nascido e as que mais contribuem para a mortalidade perinatal. No entanto a sua incidência é baixa, inferior a 1% (cerca de 8 a 12/1000 nado-vivos). Em cerca de metade dos casos o diagnóstico é feito ainda durante a gravidez por identificação na ecografia de alterações estruturais do coração.

Todas as grávidas devem efectuar ecografias seriadas durante a gravidez que devem identificar alterações estruturais no feto. Existem no entanto grupos de risco nos quais é importante realizar também ecocardiograma fetal. Deve ser efectuado em situações de risco familiar - história familiar de cardiopatia congénita, doenças hereditárias com cardiopatia associada, alterações cromossómicas; situações de risco materno - idade avançada, diabetes, infeções durante a gravidez, doenças auto-imunes, cardiopatia materna, medicação; e ainda em situações de potencial risco fetal – suspeita de cardiopatia na ecografia obstétrica, feto a crescer mal, arritmias, malformações ou alterações cromossómicas, alterações do líquido amniótico, entre outros.

Relativamente às cardiopatias congénitas em que não foi efetuado o diagnóstico pré-natal, as mais graves causam geralmente sintomas nos primeiros dias após o nascimento - transposição dos grandes vasos, coartação da aorta, estenose valvular grave, tetralogia de Fallot. As menos graves podem no entanto só vir a ser diagnosticadas com semanas ou mesmo meses de vida. Este facto gera alguma incompreensão por parte dos pais, que pensam que estas situações são sempre detetáveis ao nascer.

A cardiopatia congénita mais frequente é a comunicação interventricular, ou seja, existe um orifício entre os dois ventrículos que permite a passagem de sangue do ventrículo esquerdo para o direito. Na grande maioria das situações este orifício tem dimensões reduzidas não causando qualquer sintoma e não necessitando de qualquer tratamento. Em regra encerra por si só até aos dois anos de idade. Se o orifício é grande, então há passagem de sangue em grande quantidade, o que causa uma sobrecarga na circulação pulmonar e a criança pode apresentar sintomas que permitem suspeitar do diagnóstico: cansaço fácil, infeções respiratórias de repetição, cor azulada dos lábios, pele e língua com o choro ou com o esforço, ou ainda má evolução do peso e altura. No recém-nascido são frequentes as queixas de cansaço a mamar, respiração ofegante e sudação excessiva durante a mamada. Nesta situação poderá ser necessário tratamento médico e/ou cirúrgico.

Se por um lado o conhecimento precoce de uma anomalia fetal causa uma situação delicada para a família e para os próprios médicos envolvidos, por outro permite referenciar a grávida para uma consulta de alto risco e preparar o parto nas melhores condições possíveis.

A grande maioria das doenças cardíacas mais graves têm actualmente tratamento eficaz, ficando a criança bem e sem quaisquer limitações físicas ou intelectuais.

Respostas às dúvidas das leitoras

Sou mãe de um menino de 8 anos a quem foi diagnosticado um sopro cardíaco, tendo-me sido dito na altura que era uma variante do normal. No entanto, gostaria de saber se devo ter algum cuidado na escolha das atividades físicas e se o meu filho está mais suscetível de desencadear alguma problema do foro cardíaco.
Relativamente à pergunta colocada pela leitora, penso que no caso desta criança se deve tratar de um sopro inocente, isto é, um sopro que não corresponde a nenhuma alteração morfológica do coração, e que poderá eventualmente ser devido apenas à turbulência do sangue nas cavidades cardíacas . Como tal, a criança pode ter uma vida perfeitamente normal, igual a qualquer outra criança da mesma idade.

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