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Primeiro mês de vida do bébé – o banho

O banho do recém-nascido é geralmente um momento muito apreciado pelo bebé já que simula o ambiente intra-uterino que o acolheu durante nove meses de gestação – quente, líquido e tranquilo. Para além disso representa também um importante momento de interacção entre pais e filho.


Normalmente, o primeiro banho do bebé é dado na Maternidade no dia seguinte ao nascimento e na presença dos pais. Em particular quando se trata do primeiro filho este é um momento de grande ansiedade que importa desmistificar, para o que é fundamental a ajuda dos profissionais de saúde, em particular dos enfermeiros.

É importante que a hora do banho seja calma e tranquila. Antes de despir o bebé devem ser colocados na bancada todos os produtos que irão ser necessários – toalha, produto de lavagem, roupa para vestir, compressas, álcool a 70º, fralda e soro fisiológico. Existem variadíssimos produtos que podem ser utilizados para lavar o bebé – óleos, géis, produtos neutros, super-gordos, sólidos ou líquidos. O que importa fundamentalmente é que o produto utilizado não altere a camada lipídica da pele e que respeite a sua flora bacteriana habitual bem como o pH cutâneo.
A temperatura ambiente deverá ser agradável de modo a que o bebé não sinta frio e a água deve estar à temperatura do nosso corpo – aproximadamente 36/37ºC. Apesar de os pais poderem aferir se a água do banho está demasiado quente bastando colocar a mão dentro de água, poderá recorrer ao uso de termómetros próprios para o efeito, que permite ter a certeza de que a temperatura da água é a ideal.
É frequente que os pais perguntem qual o tempo que devem respeitar entre a hora da mamada e o banho. À partida, se for respeitada a temperatura dos 36/37ºC, não existe o risco de choque térmico. O que é importante é que o bebé não esteja desconfortável com fome, frio ou dores para que possa desfrutar o momento o melhor possível. A hora do banho do recém-nascido é indiferente, nomeadamente nos primeiros dias de vida, devendo ser dado quando for mais conveniente para os pais. No entanto, após este período inicial, e porque habitualmente o bebé fica mais calmo e sonolento após o banho, poderá ser preferível dar o banho ao fim do dia, para que o bebé se habitue a fazer intervalos mais prolongados sem comer durante a noite.

Durante todo o tempo em que está no banho o recém-nascido deve estar bem seguro de modo a não escorregar na banheira. O adulto deve passar o seu antebraço pelas costas do bebé, apoiando-o pelas axilas (ficando a mão na axila contrária ao braço) e com a cabeça sobre o pulso. Deve usar uma esponja macia ou compressas, tendo em atenção de que deverá começar por lavar as zonas mais limpas e acabar nas mais sujas. Geralmente começa-se pela cabeça, lavando o cabelo com movimentos leves e circulares, com a cabeça inclinada para trás de modo a evitar que a água escorra para a cara. Segue-se o tronco, abdómen e por último a zona genital. Em seguida deve virar o bebé de barriga para baixo (sempre apoiado no antebraço do adulto que passa por debaixo das axilas do bebé) para lavar as costas e as nádegas. Para alguns pais causa alguma ansiedade o facto de lavar a cabeça em primeiro lugar atendendo a que o bebé fica algum tempo com a cabeça molhada, no entanto não nos devemos esquecer de que todo o processo deverá ser rápido o suficiente para que o bebé não tenha tempo de arrefecer. Nos primeiros tempos não será necessário usar champô para lavar a cabeça - o cabelo pode ser lavado com o mesmo produto utilizado para lavar o corpo.
Existem os chamados leites de limpeza que poderão ser utilizados quando não for possível dar banho ao bebé, os quais podem ser retirados com compressas mornas e que são particularmente úteis em viagem.
O bebé deve ser bem seco com a tolha, não esquecendo as zonas das pregas cutâneas – pescoço, atrás das orelhas, axilas, virilhas. É conveniente vestir o bebé mal se termine o banho e os cuidados restantes para que não arrefeça.

A lavagem da face
A cara pode ser limpa com compressas com água morna ou soro fisiológico assim como os olhos – que devem ser limpos do lado mais sujo para o mais limpo, independentemente do sentido ser o da asa do nariz para a orelha ou o inverso. Relativamente ao nariz, o recém-nascido tem quase sempre algumas secreções. No entanto, atendendo às pequenas dimensões das narinas não é conveniente o uso de cotonetes nem de aspiradores nasais que podem traumatizar a mucosa nasal e consequentemente aumentar ainda mais a produção de secreções, o que cria um ciclo vicioso. Deve-se aplicar soro fisiológico para humidificar e limpar de modo a que o bebé se sinta mais confortável a respirar. Este procedimento pode ser repetido várias vezes ao dia, sobretudo antes das mamadas, para descongestionar o nariz e permitir que a mamada se torne mais fácil. Também é muito frequente a presença de cera nos pavilhões auriculares do bebé, mas não se deve usar cotonetes - só contribuem para arrastar a cera para o interior do canal, para além de que podem traumatizar a pele do canal auditivo. Os pavilhões auriculares devem apenas ser limpos com a própria toalha de banho ou quanto muito com a ponta de um cotonete anatómico.

Cuidados com o coto umbilical
Para muitos pais a limpeza do coto umbilical causa alguma ansiedade e desconforto. Não é necessário nenhum cuidado especial – o coto umbilical é tecido necrosado, ou seja, morto, não causando por isso qualquer dor ou desconforto para o bebé. No banho, o coto umbilical deve ser lavado com o produto usado para a lavagem do bebé e depois bem seco com uma compressa seca ou eventualmente com álcool a 70º (há alguns estudos que defendem que o uso de antissépticos não tem qualquer vantagem). Actualmente está completamente contra-indicado o uso de faixas ou ligaduras à volta do coto umbilical - só contribuem para atrasar o processo de cicatrização por manterem a humidade na zona e em nada evitam as hérnias. O coto deverá ser deixado destapado pelo que se deve fazer uma dobra na fralda para não traumatizar aquela região. Após a queda do coto umbilical, que ocorre geralmente entre o 5º e o 15º dia de vida, o umbigo não fica logo cicatrizado, deitando algumas secreções amareladas por vezes sanguinolentas, que são perfeitamente normais e que devem ser limpas do mesmo modo.

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A zona das fraldas
A zona das fraldas dos bebés é particularmente sensível, atendendo a que está sempre suja e a humidade é permanente. O ideal é mantê-la o mais limpa possível, mudando a fralda com bastante frequência, de modo a evitar as chamadas “assaduras” ou dermatite da fralda. Se a pele está bem não devemos exagerar na limpeza. Relativamente ao uso das toalhitas, ainda que muito práticas, não são muito recomendadas no primeiro mês de vida, atendendo a que a pele do recém-nascido é particularmente sensível. Na muda da fralda será preferível utilizar compressas embebidas em água morna ou com uma água de limpeza das várias que existem no mercado. O uso de creme barreira não está indicado por rotina, só será necessária a sua aplicação se a pele estiver avermelhada, o que acontece com alguma frequência a partir da altura em que as fezes começam a ser mais ácidas.

Cremes hidratantes
Nos primeiros dias de vida não será necessário aplicar nenhum creme hidratante, excepto nos recém-nascidos que apresentam a pele muito seca logo nos primeiros dias. No entanto é muito frequente ocorrer descamação em particular nas extremidades e na zona do abdómen pelo 8º-10º dia de vida, pelo que será útil a aplicação de um creme hidratante – são geralmente cremes gordos que protegem a camada superficial da pele, restabelecendo a sua camada lipídica. O creme a utilizar deverá ser escolhido de acordo com o tipo de pele do bebé e segundo a orientação do Pediatra.

Cortar as unhas
Há muitos recém-nascidos que já têm as unhas compridas ao nascer, arranhando-se com frequência. Os pais têm sempre muito receio de cortar as unhas nos primeiros dias de vida, com medo de poderem magoar o bebé. O ideal será utilizar uma tesoura sem bicos, agarrar bem um dedo de cada vez entre os nossos dedos polegar e indicador e afastar bem a unha para não correr o risco de fazer um corte na pele. Devemos tentar não cortar as unhas muito rentes, cortar em linha recta de modo a evitar que as extremidades possam encravar e se necessário limar os cantos para não ficarem espículas com as quais o bebé se arranha com facilidade.

Na próxima semana falaremos do diagnóstico precoce, do rastreio auditivo neonatal e do regresso a casa – transporte, visitas, horários, saídas.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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