Desenvolvimento infantil e crescimento

Desenvolvimento infantil e crescimento

Conheça as 4 fases fundamentais no processo de crescimento e saiba como interpretar as curvas de Percentis.


O que são os Percentis e qual o seu papel na avaliação do crescimento?

A palavra “crescimento” é por definição o aumento do volume e tamanho dos tecidos e órgãos que ocorre por um aumento no número e tamanho das células. No fundo crescer é um processo de modificação física que decorre desde a fecundação até à idade adulta.

O crescimento é regulado não só por factores endócrinos – hormona do crescimento, hormonas tiroideias e sexuais - mas também por factores genéticos, metabólicos, psicossociais, entre outros.

A hormona do crescimento é uma hormona produzida a nível cerebral pela hipófise e a sua produção aumenta progressivamente desde o nascimento até à puberdade. É segregada predominantemente durante a noite e por isso é frequente dizer-se que “se cresce durante o sono”.

Descrevem-se 4 fases fundamentais no processo de crescimento: a) pré-natal; b) do nascimento aos 2 anos; c) dos 2 aos 9 anos e d) dos 9 anos até à puberdade.

O crescimento harmonioso in útero está dependente de factores quer maternos quer fetais. O feto é relativamente resistente à acção da hormona do crescimento sendo a insulina a principal hormona responsável pelo desenvolvimento embrionário. Na vida intra-uterina o desenvolvimento fetal está logicamente mais dependente de factores genéticos maternos do que paternos sendo que a influência hormonal materna prolonga-se até aos 12-18 meses de idade.

A velocidade de crescimento no primeiro ano de vida é rápida podendo atingir os 25 cm/ano e está dependente fundamentalmente de factores nutricionais. A fase de crescimento infantil tem início pelos 12 meses e caracteriza-se por um ritmo lento e constante a partir dos 2 anos, dependendo principalmente de factores genéticos e da hormona do crescimento. Na puberdade verifica-se nova aceleração do crescimento (10-12cm/ano) que depende não só da hormona do crescimento como também das hormonas sexuais. Geralmente esta fase de crescimento ocorre pelos 11-13 anos nas raparigas e aos 13-14 anos nos rapazes, terminando no final da maturação sexual, que coincide com o encerramento dos núcleos de crescimento a nível ósseo.

Na prática, crescer é fundamentalmente aumentar de peso, de estatura/altura e de perímetro cefálico. A somatometria é o método que permite quantificar as dimensões corporais pela medição dos parâmetros atrás referidos e permite avaliar se o crecimento está a ser adequado.

O que são as curvas de percentis? Para que servem?

As curvas de percentil resultam da comparação de determinados parâmetros – peso, altura, perímetro cefálico, obtidos pela observação de milhares de crianças de várias idades. A palavra “percentil” significa percentagem, isto é, a percentagem de crianças que tem determinada característica, como por exemplo o peso. Por exemplo, dos resultados obtidos verificou-se que 50% dos rapazes com 9 meses de idade tinham 9,2 Kg – percentil 50. O principal objectivo destas curvas é poder comparar a criança com as crianças da mesma idade e sexo que foram estudadas e que permitiram a construção dos gráficos das curvas de percentil.

As curvas são diferentes para os dois sexos e por isso os Boletins Individuais de Saúde dos rapazes são azuis e os das raparigas, cor-de-rosa. Existem 100 curvas de percentil mas na prática só estão incluídas no Boletim Individual de Saúde as dos percentis 5/10/25/50/75/90.

As curvas utilizadas em Portugal são as adoptadas já em 2001 pelo CDC (Center for Disease Control and Prevention), baseadas na avaliação de crianças exclusivamente norte-americanas alimentadas predominantemente com leite de lata o que não traduz a realidade dos bebés alimentados em exclusivo com leite materno. Normalmente estes bébés têm percentis mais elevados nos primeiros 4 a 6 meses de vida, verificando-se após esta idade uma inflexão do ritmo de crescimento. Daí que a OMS tenha publicado em 2006 os resultados de um estudo exaustivo realizado em diferentes continentes englobando milhares de lactentes e crianças entre 1997 e 2003 com a sugestão de adoptação de gráficos de percentis diferentes das que são actualmente utilizadas. A DGS já aprovou estes novos gráficos que irão passar a ser utilizados em Portugal.

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Como interpretar as curvas dos percentis?

Mais importante do que ser Percentil 50, 25 ou 75, a análise da evolução das curvas de percentis nomeadamente no que se refere ao peso, comprimento/altura e perímetro cefálico é importante para avaliar o crescimento da criança. Não somos todos iguais, mais importante do que estar no percentil médio é como é que tem decorrido a evolução da criança ao longo do seu crescimento – se tem uma evolução equilibrada não só entre o peso, altura e perímetro cefálico, como na evolução ao longo do tempo salvaguardando algumas acelerações ou desacelerações que são normais nos primeiros 12 meses e que fazem parte do reajustamento do tamanho intra-uterino. É importante a vigilância da criança em consulta de rotina e o preenchimento dos parâmetros avaliados no Boletim Individual de Saúde.

Quando a criança apresenta uma inflexão repetida das curvas em consultas seriadas, mesmo que sem razão aparente, obriga a investigação.

São causas de baixo peso ou de inflexão da curva de evolução do peso:

  • Causas maternas – HTA, diabetes, insuficiência placentar, má nutrição maternas, infecções congénitas, entre outras;
  • Má nutrição;
  • Má absorção intestinal- doença celíaca, fibrose quística;
  • Doenças endócrinas e metabólicas;
  • Infecções crónicas;
  • Doenças genéticas;
  • Privação emocional.

Não nos devemos esquecer que o potencial genético contribui em cerca de 80% para o crescimento. Daí que o chamado “acerto de percentis” possa ocorrer apenas pelos 12 a 18 meses. Esta alteração ocorre de um modo lento e verifica-se quer no peso como no comprimento.
Também se a criança esteve doente, com febre, diarreia, vómitos, é natural que esteja prostrado, sem apetite e perca peso. No entanto após o período de convalescença é normal recuperar o apetite e comer até mais do que o costume para voltar ao seu peso anterior.

Quando é que uma criança é considerada gorda?

Normalmente considera-se gorda uma criança cujo peso está acima do Percentil 95 para a idade. No entanto, o peso exagerado tem de ser interpretado de acordo com a altura, isto é, duas crianças com o mesmo peso podem ter um aspecto muito diferente se uma for alta e a outra baixa.

Assim é importante determinar o IMC (Índice de Massa Corporal) que relaciona o peso com a altura (peso/altura x 2). Existem tabelas de percentis para este parâmetro e se for superior a 85 consideramos que a criança tem excesso de peso. Se o percentil for superior ao 95, então é considerada obesa. Estes gráficos estão no Boletim Individual de Saúde da criança e devem ser efectuados os registos sempre que a criança é avaliada pelo Pediatra.

O factor genético é muito importante para poder prever se uma criança pode vir a ter excesso de peso/obesidade – quando os pais são obesos a probabilidade é maior. Os hábitos alimentares da família são também determinantes e as escolhas alimentares dos pais influenciam muito a alimentação da criança. Se os pais não comem legumes, sopa e fruta, se bebem refrigerantes regularmente e se não têm o hábito de se sentar à mesa durante o tempo de refeição é natural que as crianças também não adquiram bons hábitos alimentares.

Para além da alimentação, o sedentarismo é também um factor importante no excesso de peso das nossas crianças. As crianças actualmente passam muito tempo a ver televisão ou a jogar jogos nas consolas o que leva a uma redução no consumo calórico.
A obesidade infantil tem de começar a ser prevenida logo desde os primeiros anos de vida da criança. Cerca de 20% das crianças que aos 4 anos têm excesso de peso virão a ser adultos com excesso de peso/obesos, incidência essa que aumenta para 80% no caso dos adolescentes pelo que é fundamental adoptar estratégias de prevenção na familia e nas escolas.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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