Ambliopia: a importância do rastreio visual na criança

Ambliopia: a importância do rastreio visual na criança

Saiba o que é a ambliopia e conheça a importância do rastreio visual nas crianças, com a Dra. Paula Garcia


A visão é essencial para o normal desenvolvimento da criança sendo importante logo desde os primeiros dias de vida.

Todo o sistema visual (olhos e vias cerebrais) está aparentemente formado à nascença. No entanto, à medida que a criança vai crescendo e que se vão estabelecendo ligações neurológicas mais complexas, ocorre uma maturação de todo este sistema.

Apesar deste processo poder decorrer até à adolescência, sabe-se atualmente que as principais alterações no sistema visual ocorrem até aos dez anos de idade. A não identificação precoce de qualquer problema relacionado com a visão poderá comprometer o desenvolvimento adequado da criança a nível pessoal, familiar e social, podendo deixar sequelas irreversíveis se não existir uma correção adequada.

Depois dos 10 anos de idade o sistema visual comporta-se como o do adulto pelo que o risco de diminuição da visão por doença ocular é mais raro.

Qual a causa das alterações da visão?
A diminuição grave da acuidade visual pode estar presente desde o nascimento e afecta 1 em cada 3000 crianças. Este risco é maior quando existem problemas visuais na família ou em caso de recém-nascidos prematuros.

Cerca de 50% dos casos são provocados por alterações genéticas enquanto os restantes ocorrem associados a complicações durante a gravidez (como algumas infecções), ou complicações durante o período perinatal, como a prematuridade ou a asfixia, entre outras.

Para além destas situações mais graves há as crianças que apresentam ambliopia ou “olho preguiçoso”.

O que é a ambliopia?
A ambliopia é uma doença ocular exclusiva da idade pediátrica. Pode ser definida como a diminuição da acuidade visual de um ou ambos os olhos. Ocorre devido à ausência da formação de uma imagem nítida na retina durante o período de desenvolvimento da visão entre o nascimento até aos 6-7 anos de idade.

A ambliopia pode ser dividida em três subgrupos, de acordo com a causa:

1) Ambliopia de privação – quando não há estimulação luminosa da retina como se verifica nas situações de cataratas, glaucoma, tumores da retina ou alterações dos músculos da pálpebra que impedem a sua abertura. Estas alterações podem estar presentes logo ao nascimento ou surgirem posteriormente. Este é tradicionalmente o subtipo mais grave já que o tratamento só será eficaz se instituído até 12 semanas após o estabelecimento da ambliopia, o que implica um elevado grau de suspeição.

2) Ambliopia estrábica – alteração da visão binocular por falta de alinhamento dos dois eixos oculares. A visão binocular, que permite a noção de profundidade, desenvolve-se em regra até aos 2 anos de idade.

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No caso de um bebé com menos de 6 meses é normal poder apresentar o chamado “estrabismo fisiológico” – tipicamente não é constante e ocorre só quando o bebé fixa objectos durante algum tempo. Esta situação é normal e ocorre por imaturidade dos músculos oculares que são incapazes de manter a visão centrada.

Se o estrabismo permanecer para além dos seis meses, ou se for constante e não apenas com a fixação dos objectos, a criança deverá ser observada pelo oftalmologista. Nestes casos a ambliopia pode ser uni ou bilateral e o tratamento deverá ser instituído o mais precocemente possível, preferencialmente logo que seja detectado.

3) Ambliopia refractiva – surge na sequência de erros de refracção: hipermetropia (dificuldade em ver ao perto), miopia (dificuldade em ver ao longe) ou astigmatismo (alteração na curvatura do olho).

A ambliopia atinge 2 a 5% da população infantil e o seu prognóstico depende da idade em que é efectuado o diagnóstico.

A criança pequena não se queixa de que vê mal, pelo que será importante estar atento a alguns sinais que nos podem apontar para diminuição da acuidade visual – cai com frequência, vai contra os obstáculos, aproxima-se muito dos objectos, entre outros.

Se a ambliopia é unilateral e afecta apenas um olho o sistema nervoso acaba por “esquecer” o olho afectado que fica atrofiado e a visão passa a fazer-se apenas à custa do olho saudável. Por isso é essencial um diagnóstico precoce para que se posso efectuar a correção ocular e evitar a atrofia ocular.

Quando deve ser efectuado o rastreio visual?
A visão da criança deverá ser avaliada em todas as consultas de rotina e desde recém-nascido. Numa primeira abordagem deverá ser avaliada a configuração da face, a implantação dos globos oculares e os seus movimentos, a fixação do olhar quando despertado pelo som, pestanejar e se existe ou não fotofobia (reacção exagerada de incómodo com a luz).

A posição da cabeça da criança também nos pode alertar para alterações da visão. A rotação ou a inclinação da cabeça podem corresponder a posições viciosas que a criança tem de adoptar para conseguir o alinhamento ocular para conseguir fixar.

É obrigatório avaliar a acuidade visual em todas as consultas de pediatria e é tão importante como pesar e medir a criança. É no entanto essencial um rastreio visual mais especializado e efectuado pelo oftalmologista aos três e aos cinco anos de idade, antes da idade escolar, mesmo que aparentemente não existam alterações.

Quando é que o rastreio visual deverá ser antecipado?
Existem situações de alerta que implicam a orientação para uma consulta de especialidade o mais precocemente possível como: prematuridade, história familiar de doença ocular, criança com doença neurológica ou atraso de desenvolvimento, pupila branca, estrabismo fixo antes dos 6 meses ou qualquer situação de estrabismo após esta idade, olhos sempre vermelhos, sensibilidade exagerada à luz ou adopção de posturas incorrectas da cabeça, entre outros.

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