Acidentes - Mais vale prevenir que remediar

Acidentes - Mais vale prevenir que remediar

Praia e piscina – os perigos da água


Nas últimas semanas temos vindo a abordar temas relacionados com o Verão. Na realidade, é também nesta época do ano que a criança está mais sujeita a acidentes atendendo a que passa mais tempo ao ar livre, quer na praia, no campo ou a brincar nos parques infantis e jardins.
Os acidentes continuam a ser a principal causa de morte ou invalidez temporária ou permanente em crianças. Os pais têm um papel ativo na proteção diária das crianças - cabe-lhes não só prevenir os acidentes domésticos implementando medidas de segurança como também educar para que as crianças aprendam a lidar com os eventuais riscos.

Nos primeiros 3 anos de vida a criança não tem noção do perigo, tem muita curiosidade de explorar o meio que a rodeia, pelo que a sua segurança depende totalmente do adulto. A prevenção dos acidentes deverá ser um tema abordado na consulta de Pediatria, esclarecendo as dúvidas dos pais e alertando para os possíveis perigos: quedas, acidentes de viação, afogamentos, intoxicações, inalação ou ingestão de corpos estranhos, queimaduras, entre outros.

A seguir aos acidentes de viação, os afogamentos são a causa de morte acidental mais frequente na criança. As crianças têm características constitucionais que as tornam mais vulneráveis aos afogamentos. Quando mergulhamos ocorre um mecanismo de protecção chamado laringoespasmo, que consiste no encerramento das vias aéreas o qual impede a entrada da água para os pulmões. Enquanto que um adulto sabe que não pode inspirar dentro de água a criança não tem essa noção e assim que as vias aéreas se abrem tenta inspirar para recuperar o fôlego e consequentemente aspira água para as vias aéreas.
Ao contrário do adulto, as partes mais pesadas do corpo da criança são a cabeça e os membros superiores e assim perdem rapidamente o equilíbrio ao inclinar-se para a frente. Para além disso as crianças pequenas não têm o reflexo de se levantarem ou inclinar a cabeça para trás daí que se possam afogar mesmo numa pequena altura de água.
É importante ter a noção que apesar de serem mais frequentes nas praias e nas piscinas, os afogamentos podem ocorrer em qualquer local com água - poços, fontes, alguidares e até na banheira - os pais nunca devem deixar as crianças sozinhas no banho nem que seja só para atender o telefone!

Quando é que as crianças devem ir para a natação?

As crianças devem aprender a nadar por volta dos 3 anos de idade. Obviamente que o contacto prévio com a água e as aulas de natação a partir dos 6 meses são benéficas para o desenvolvimento psico-motor e são um momento de prazer partilhado com os pais. Contudo, é a partir dos 3 anos que a criança tem capacidade de efetivamente "aprender a nadar".
Relativamente aos receios que alguns pais têm, é importante referir que a natação é um excelente desporto para o desenvolvimento das crianças, nomeadamente da parte respiratória uma vez que ajuda a expandir a caixa torácica e o desenvolvimento pulmonar. Obviamente que cada caso é um caso e deve ser discutido com o Pediatra se a criança deve ou não frequentar a natação.

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Alguns cuidados a ter...

Os afogamentos são rápidos e silenciosos e por isso todos os cuidados com a criança e a água são poucos!
Na praia, nunca se deve perder a criança de vista - o primeiro dia de férias e o fim de tarde são as alturas mais críticas, pela confusão que se instala. São preferíveis as praias vigiadas mas mesmo assim a criança nunca deverá tomar banho sem a supervisão do adulto, e deve colocar as braçadeiras ou a bóia sempre que for para o banho. Nas piscinas não se deve facilitar e deve tê-las sempre postas, mesmo quando brinca fora de água.

É também importante perceber que nem todas as crianças gostam de tomar banho ou de ir ao banho quando os pais querem!! Não se deve insistir nem obrigar a criança a ir à água - deverá ser um momento de prazer e não de choro como por vezes assistimos na praia ou na piscina em que os pais teimam em mergulhar a criança na água apesar dos gritos!
As crianças que gostam bastante da água e que ficam muito tempo no banho, ficam frequentemente com frio, especialmente se são franzinas e têm pouca massa adiposa - quando a criança está a tiritar de frio ou com os lábios roxos deve sair da água, ainda que não queira e isso motive choro a seguir!

Com a criança mais velha é importante conversar e explicar de forma clara mas não alarmista os perigos relacionados com a água. Alertar para que não mergulhe de cabeça sem conhecer bem o sítio ou a profundidade da água e se existem rochas. Não devem nadar sozinhas e não devem atrapalhar as outras crianças com brincadeiras perigosas.

É importante ajudar a criança a criar uma relação de proximidade com a água, de modo a poder brincar e divertir-se, mas alertando para os perigos e cuidados a ter de modo a que se possa ter um Verão seguro e tranquilo!

Para mais alguns esclarecimentos aconselho a consultar os conselhos da APSI (Associação para a Promoção da Segurança Infantil).

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