3 anos - A idade dos amigos imaginários, dos terrores nocturnos e dos medos

3 anos - A idade dos amigos imaginários, dos terrores nocturnos e dos medos

Os 3 anos é a idade em que a capacidade da criança desenvolver a sua imaginação atinge o seu expoente máximo, ajudando-a a experimentar sentimentos e vivências que lhe irão permitir viver a sua rotina de forma mais tranquila e segura.


Os amigos imaginários representam para a criança a possibilidade de poder testar todas as coisas más ou boas com que sonha e lhe estão interditas, criando personagens com as quais se identifica e isolando-se na sua privacidade. Numa fase inicial a criança tendencialmente tenta que ninguém se intrometa, pelo que os pais devem respeitá-la. Normalmente é mais frequente esta situação num primeiro filho – por um lado são os primeiros e não têm irmãos com quem brincar; por outro lado, classicamente, os segundos-filhos têm irmãos mais velhos que acabam por fazer troça dos mais novos e fazendo com que se inibam, não dando “largas” à sua fantasia.
A criança consegue conversar com os amigos(as) imaginários(as) como se se tratassem de seres reais. Os próprios pais têm por vezes ciúmes destes amigos - sentem que os filhos se estão a afastar deles, já não são o centro das atenções da criança e têm inclusivamente medo de que a criança se afaste da realidade. No entanto os pais não devem ter esse receio, pois trata-se de uma fase de transição que importa respeitar; se insistirem em fazer muitas perguntas acabam por obrigar a criança a voltar à realidade e destroem toda a magia desta fase. No fundo a criança tenta libertar-se do pensamento concreto do mundo que a rodeia e que lhe gera sentimentos de alguma agressividade. Esta capacidade permite-lhes a exploração do bem e do mal, atribuindo a outro ser algumas das características desejadas ou temidas e que poderão ser experimentadas em segurança – o medo, a mentira, o egoísmo, entre outros. A criança testa os limites do seu mundo real - a construção de um mundo imaginário ajuda-a a conseguir separar a realidade dos seus desejos que começa a entender que não podem ser concretizados. Por vezes, a criança aproveita esta fantasia para mentir e livrar-se de um castigo ou reprimenda. Sem perturbar este seu mundo, há que chamar a criança à realidade, podendo inclusive explicar-lhe que a sua atitude não foi correcta e que não adianta esconder a sua responsabilidade – é necessário trazê-la ao mundo real e mostrar-lhe que não agiu correctamente. Por vezes a criança está tão envolvida no seu mundo de fantasia que pede aos pais para que o seu amigo tenha lugar à mesa e/ou no carro. Não há necessidade de reprimir estes desejos, o facto de participarem no seu mundo de “ faz de conta” não vai interferir com a adaptação ao mundo real.
Esta fase e estas fantasias só são eventualmente preocupantes se interferirem no relacionamento com outras crianças, não brincando nem interagindo com as mesmas por se manter isolada no seu mundo de fantasia. Se tal acontecer, torna-se necessário explicar à criança que apesar dos seus amigos imaginários serem bem aceites é também importante que brinquem com os amigos verdadeiros.

Terrores nocturnos
A dificuldade em separar a realidade do mundo imaginário contribui para os medos da criança, que se manifestam muitas vezes como pesadelos durante o sono. Ocorrem em cerca de 15% das crianças entre os 3 e os 5 anos de idade e representam uma descarga emocional. Geralmente adormecem bem e tipicamente duas a três horas após adormecerem choram de modo intenso o que assusta os pais que quando chegam ao quarto encontram o filho(a) a chorar, com a respiração acelerada e de olhos muitas vezes abertos mas sem estarem acordados, não respondendo quando falam com ele(a). Se o pesadelo se prolonga a criança pode acabar por acordar mas normalmente não se lembra do sonho.
Estas situações podem ocorrer em dias em que a rotina foi alterada ou quando há situações de maior stress, embora muitas vezes não exista nenhuma razão aparente. Há que tentar acalmar a criança e se necessário adormecê-la para que o sono continue de forma tranquila.
Muitas vezes são os filmes ou as histórias infantis que criam alguma ansiedade à criança – não são só os desenhos animados agressivos e com lutas que podem ser desencadeantes! Se pensarmos na clássica história do “Capucinho Vermelho”, em que o lobo come a avozinha, ou no “Rei Leão”, em que o pai morre, podemos facilmente entender o porquê dos pesadelos das crianças, até porque nestas idades não conseguem fazer uma separação clara entre o mundo real e o mundo imaginário.

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Os medos
Os medos são frequentes nas crianças sobretudo entre os três e os seis anos. À medida que tomam consciência da sua própria agressividade e que a têm de reprimir, também começam a ter receio da agressividade de outras pessoas ou de situações desconhecidas. Se por um lado se tornam mais autónomos e independentes, por outro têm pânico de o fazer - os medos são uma manifestação do conflito interno que resulta desta ambiguidade. Há que saber lidar com estas situações de forma tranquila e descontraída, para também se poder tranquilizar a criança. Muitas vezes os medos são transmitidos pelos próprios pais, ainda que inconscientemente. Por exemplo, é vulgar o medo de cães ou de outros animais, nomeadamente se a criança não está habituada a conviver com os mesmos - fica em pânico quando vê um cão mesmo que do outro lado da rua, agarra-se ao pescoço da mãe ou do pai e grita de modo descontrolado. Quando perguntamos se algum dos pais tem medo, é muito habitual um deles dizer que sim. Mesmo que os pais não verbalizem esse medo, a atitude que adoptam é reveladora – ao agarrar a mão da criança com muita força ou pegar-lhe ao colo se se aproxima de um cão, por exemplo. A criança entende que o adulto não está confortável com a situação, o que lhe gera ansiedade. O mesmo se verifica perante ruídos fortes e súbitos – carros de bombeiros, ambulâncias, bater de portas, entre outros.
O medo de outras crianças, nomeadamente se forem agressivas, é normal na criança a partir dos 3 anos de idade, sobretudo se se trata de uma criança tímida e num ambiente novo que não domina. Há que ajudá-la a integrar-se, incentivando-a a aproximar-se das outras crianças e a participar nas brincadeiras. Se a situação se prolongar e se for motivo de angústia pode promover inicialmente a aproximação a uma ou duas crianças com personalidade idêntica, o que facilita a integração no grupo. Classicamente estes medos ocorrem no início da adaptação ao infantário, quando a criança tem medo da reação das outras, chora para se separar da mãe ou do pai e pode isolar-se ou então não largar a auxiliar ou a educadora. É importante transmitir-lhe segurança, tentar encontrar uma criança com quem a sua fique calma para que não se prolongue muito esta situação de angústia. Com o passar dos dias a criança vai aprendendo a confiar nos outros e começa a integrar-se no grupo.
O medo do insucesso é também frequente em algumas crianças e pode manifestar-se logo a partir dos 3 anos. Perante determinadas situações que não domina ou uma atividade que não consegue realizar, fica muito angustiada e pode manifestá-lo por choro, irritabilidade ou pura e simplesmente desistindo de realizar a tarefa por achar que não consegue. É importante perceber o conflito em que a criança se encontra, incentivando-a a concluir a tarefa, transmitindo-lhe confiança, mas sem grande exigência. É necessário elogiar pela positiva, não colocando grande pressão para não contribuir para diminuir a sua autoestima.
Os pais servem sempre de modelo para os filhos. Tentem falar com a criança, dêem-lhe espaço para que ela possa expressar da melhor maneira possível os seus medos e receios, arranjem tempo para ouvi-la! Só assim poderão falar abertamente sobre o assunto desdramatizando a situação, colocando-se no lugar da criança, explicando que a entendem e que também tiveram os mesmos medos e receios em pequenos. A criança ficará muito mais tranquila e confiante ao perceber que o seu “ídolo” também passou pelos mesmos conflitos, o que a ajudará a crescer mais confiante e independente.

Na próxima semana falaremos de “Perturbações da Linguagem – Quando Valorizar?”

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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